Em tempos como esses me pego imaginando historinhas:
Ele chega em casa depois de um dia exaustivo, acaricia seus felinos, se joga no sofá e acende um cigarro, quando que quase por um lapso do destino e por descuido lembra daquele caso antigo. Termina o cigarro, abre uma garrafa de seu melhor Whisky, toma uma, duas, três, quatro doses. Sentindo aquela euforia que só o prazer de um pileque lhe dá, ruma ao quarto, veste-se, passa um espiro de perfume. Passa a mão em seu molho de chaves, sabendo que ainda nele continham as chaves do antigo, apartamento onde dividia com seu namorado, resolve migrar para lá, para relembrar dos momentos, curtir a brisa daquela vista Maravilhosa. Acende mais um cigarro e prossegue o caminho. Chegando na frente do edifício sente aquele frio na barriga, lembranças e borboletas em seu estômago davam fôlego. Dá oi para o porteiro, gira a chave, entra, pega o elevador para o 17º andar. Enquanto o elevador sobe, ele lembra de tudo que aquelas paredes viram e ouviram durante seus meses, curtos\longos intensos. O elevador chega, ele ouve pequenos ruídos vindo daqueles corredores.
-O que será, devem ser os vizinhos, mas os vizinhos, que eram tão silenciosos, fazendo barulho? Bom, os tempos mudaram. Pensou ele.
Seguindo em direção, o som cada vez, em cada passo, ficava mais alto.
Caiu em si, aceitou ele que havia alguém, talvez mais do que o numero de pessoas que imaginava, os risos, a música ficava mais alta.
Parou diante da porta, não sabia ele se o que fazia, tremendo colocou a chave na porta.
Respirou fundo, acendeu mais um cigarro, girou a maçaneta de vagar, a porta se abriu, as luzes apagadas, um leve breu cai sobre a sala, e ao fundo, aquela música, alta, levemente andava, em pisadas leves, foi se direcionando para a sala de estar.
Respirou fundo, girou o botão do som no volume máximo, e quase que por um segundo sem pensar juntou um vazo de flores, admirou-as deu a última tragada no cigarro, jogou a bituca no chão, amassando-a com o pé.
Jogou o vazo contra o aparelho de som paralisando a música, e como um besta deu seu urro de liberdade.
As vozes se silenciaram, feliz assim, começou a quebrar todas as peças que havia dividido com seu amor, naquele lugar que chamavam de lar.
A cada barulho de peças se partindo era como se fosse, mais um tempo de liberdade, mais uma sensação de prazer inexplicável.
As vozes se silenciaram, as dores sanaram.
Cai sobre o chão, tem suas lágrimas misturadas com risos, que não sentira mais.
A porta do quarto se abre, passos no corredor, o reencontro fatal entre o sonho e a realidade se misturavam.
Simples assim, como um cair de tarde.
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