Não Conta Para Eles
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Vinho tinto!
Como uma taça de um vinho tinto que beberico;
Devaneios fazem parte da vida, assim
como escrituras, imagens ou palavras cantadas.
Do cativeiro e do exílio, da liberdade ao voo que se
alcança.
Das calçadas que passo, das flores que nascem, exalam seu perfume e apodrecem.
Do amor e outros demônios.
Assim vou seguindo o meu caminho em uma noite silenciosa, fria e pálida.
Da felicidade encontrada em qualquer campo , copo e corpo.
Chegam tintas , canções e fogo.
Para colorir, esquentar e quebrar o vazio.
Assim sou, assim vou, sem se perder pelo caminho!
sábado, 21 de abril de 2012
Funeral Florido
Eu quis escrever um texto lindo pra você,
dizer que hoje senti teu perfume do alto da
montanha...
Pensei, balancei a cabeça, torci o nariz,
preferi não sentir.
Mas aquele cheiro que contraiu todos os meus músculos
se foi com o vento.
Juntei fotos, histórias, cartas e dizeres do meu amor.
Bebi tudo de uma vez.
Vomitei.
Escrevi teu nome em papel
e enterrei aos pés de uma bela laranjeira
florida que ainda dá frutos,
tão tranquilo e em paz,
assim com se despede de
qualquer coisa que morre.
Luan Lispector de Assis Abreu Lorca.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Considerações borboleta, considerações!
Sentir, sentir, que grande lema!
Depois de mais um dose de wisky, o que sentir?
O doce sabor azedo, porém forte que se cristaliza na saliva, vai passando pela garganta e chega ao estomago doce, para que as borboletas possam saciar-se com seu sabor, já que elas vivem apenas 24 horas.
Depois de mais um dose de wisky, o que sentir?
O doce sabor azedo, porém forte que se cristaliza na saliva, vai passando pela garganta e chega ao estomago doce, para que as borboletas possam saciar-se com seu sabor, já que elas vivem apenas 24 horas.
24 horas e sentir nesse exato momento são as mesmas exatas coisas, como se nessas horas, qualquer borboleta pudesse sentir, seus pelos, seu corpo, respirar e expirar, sentir sua alma plainar pelo espaço. Elas possuem apenas 24 horas.
Viver em 24 horas deve ser fácil, morrer é a certeza que virá logo, viver, é aqui, é exato, tem que depressa acontecer. É tão bonito, elas possuem uma história impressionante que desde sempre, nós crianças aprendemos a entender, e, quase sem querer não damos a menor importância, elas passam de larva para um casulo, forte, feio, e quando e quase por um desabrochar elas recriam a vida.
Algumas coloridas, outras nem tanto, outras negras, outras sem cor, com suas deformações. Talvez pelo que, antes de ser casulo elas tenham passado, enfrentado. Oh clima hostil! Mas no fim, todas elas são borboletas, possuem o dom de voar e de carregar sua história por apenas 24 horas.
Apenas ela, somente ela, contra ela, lutando, cada minuto, vivendo, andando entre a flora, proliferando, desperdiçando de flor em flor, o que resgatou, o que adquiriu e o que conseguiu levar de outra flor. Mas mesmo assim voando, algumas vezes o que carrega é pesado demais, quando vê que não suportará, apenas deixa cair o peso para que não perca o equilíbrio e continue a bater asas, continue a voar. Voando, Voando, Voando...
Seu sexo nunca descobrem. Nunca se importam! De que importaria isso? Agora, apenas o seu destino é viver, percorrer caminhos, conhecer, sentir, tocar e voar sem destino, sem preocupações, ultrapassando qualquer entendimento. Vasto, Vasto mundo...
Algumas se encantam com qualquer luz que ofusque seu olhar, dançando junto com outros insetos, a mesma dança, envoltos no som, nas lâmpadas, mas pelo que observo elas, as borboletas, são as mais ágeis e logo percebem o erro, o abismo, muitas vezes mortal de tanta luz. Luz, luz, luz, porém artificial.
Seguem seu rumo, voando, plainando e quando percebem quase que por um êxito, caem, simplesmente caem, sem fôlego tentam recuperar o ar, alçar vôos, mas poucas conseguem. As que não consumam o ato, ficam ali paralisadas, agonizando, haja suporte, haja dor, em sentir o pesar das ultimas 24 horas que viveram, e viveram como se não soubessem o que fazer, seguindo apenas o instinto de viver e morrer.
*24 hrs, pm.
Whisky e cigarros.
*24 hrs, pm.
Whisky e cigarros.
quinta-feira, 29 de março de 2012
O que você lê é o mesmo que come, bebe e fuma?
Nada pareceria tão normal, como ficar em casa tomando um bom chá, soprando alguma fumaça e buscando alguma literatura na qual ele se identificasse, apesar de ser uma sexta-feira quente, com um luar tão intenso quanto os olhos daquela personagem de Machado de Assis. Ele ficara paralisado por alguns minutos procurando em sua estante de livros alguma obra que o remetesse ou remediasse aquilo que estava sentindo.
Sem poder verbalizar seus sentimentos, ele pegara um livro no qual Clarice Lispector lhe traduzia em palavras ora confusas, ora inteligentes, em cada fragmento, a complexidade de sua existência. Logo após ler alguns trechos da descoberta do mundo, e atrás de mais um gole de chá, ele observava a xícara, na qual servira mais um pouco daquela bebida quente.
Ficou um bom tempo a contemplar o amarelado do recipiente e a cor do chá, vermelho. Aquilo tudo lhe fazia nostalgizar sua infância, seus sonhos, questionava-se, como na escrita de Lewis Carroll, se o chá poderia ser a chave que o levasse para algum mundo além da toca.
Talvez, quem sabe, em alguma leitura ele poderia reencontrar suas personagens favoritas, sem hesitar ele levantou de sua poltrona e correu novamente ao encontro de sua estante, chegando à frente, colocou seu dedo indicador, sem medo, sobre as obras e começou a passá-lo por vários títulos, era como se passeasse por várias histórias, como se visse sua vida sendo contada através daqueles mundos, numa espécie de frenesi.
Chegou à adolescência, aquele momento primaveril onde, de súbito encontro, como se as palavras contassem sua puberdade, lembrou-se da garota de cabelos ruivos, que povoava e fantasiava sua imaginação nessa época, e que morrera de raiva, mas seus cabelos não paravam de crescer mesmo no túmulo, como do amor e outro demônios surgissem sua historia mais nobre. Como Gabriel Garcia Márquez pudera fazer isso com ele? Criar uma historia tão igual a sua, contar à história que sua avó lhe contava, escrever sobre a história da família e de seus amores? E publicá-las tão descaradamente em seus livros?
Achou todos aqueles pensamentos tolos, como alguém poderia prever o que iria acontecer quase 30 anos antes. Seria ele um oráculo, um místico que tivera uma epifania?
- Nada disso, respondeu para si mesmo, devo estar delirando.
Pôs o livro, raivoso, na cabeceira do seu leito e resolveu esfriar a cabeça, tomar um ar.
Foi em direção a janela, e de lá começou a observar um enorme aglomerado de janelas de um edifício. Pegou o seu binóculo e lá ficou, em cada janela que passava seu olhar, via pessoas, amando, traindo, trabalhando, cantando e dançando e ao voltar-se para o pátio do edifício, fitou uma mulher negra de estatura alta, se fazendo líder entre diversos homens que a subestimavam. Não longe dali, uma menina fazia obscenidades em baixo de uma árvore, homens bebiam e escutavam samba e cachorros magros pastavam.
Intrigado com a realidade que via, começou a fazer analogias ao Cortiço de Aluizio de Azevedo, como aqueles gestos e maneiras poderiam ser tão tipicamente iguais ao manuscrito? Perguntara-se, como a vida poderia ser tão parecida aos livros que lia. Como as personagens poderiam contar histórias próprias, até mesmo se fazerem reais.
Paralisado, anestesiado com a vida que via e sentia, tomava dimensões nunca por ele percebidas, entendia que a literatura que ele devorará ao longo do tempo dava sentido a sua existência. Percebera que para entender a literatura e preciso observar a vida, ser mero expectador. Para ele a Literatura era vida. E o seu sentido nada mais era do que aquilo que se vive, que se sente, contada por alguém e traduzida em papel. Perguntava-se,
- Se eu sou o que a literatura me traduz, talvez eu também seja o que eu como, o que eu bebo, e o que eu fumo. Em sumo retrato as palavras se tornam imagens e o que vejo nada mais é do que eu sinto?! Devo estar endoidecendo ou aprendendo a enxergar a vida com outros olhos, olhares que antes nunca me foram ensinados?!
Intrigado com o paradoxo que ele havia criado, acendeu um cigarro, bebericou mais alguns goles de chá e resolveu se preocupar com outros sentidos, outras estantes. Mas isso já é outra história, e outra história, possivelmente já deve ter sido contada por outro alguém.
domingo, 18 de março de 2012
Estudos de várias cabeças.
Para o melhor gado:
*
"Sabe aquilo? Talvez até eu saiba,
mas não gosto, é ambíguo!"
**
"Sonhar, sonhar, sonhar,
Talvez realizar, realizar,
mas saciar, sanar, nunca!"
***
"O nó do coração também é
a cera da vela, que queima,
derrete e um dia acaba."
****
"Os outros são os outros,
Os mesmos são os mesmos,
cada um com os seus tropeços,
levantam e caem.
Caem e levantam mas,
continuam sendo os outros,
HUMANOS?!; porém tolos,
todos de frente para o espelho."
*****
Luan Lispector de Asiss Abreu
17\18-03-12;
Casa da Márcia
*
"Sabe aquilo? Talvez até eu saiba,
mas não gosto, é ambíguo!"
**
"Sonhar, sonhar, sonhar,
Talvez realizar, realizar,
mas saciar, sanar, nunca!"
***
"O nó do coração também é
a cera da vela, que queima,
derrete e um dia acaba."
****
"Os outros são os outros,
Os mesmos são os mesmos,
cada um com os seus tropeços,
levantam e caem.
Caem e levantam mas,
continuam sendo os outros,
HUMANOS?!; porém tolos,
todos de frente para o espelho."
*****
Luan Lispector de Asiss Abreu
17\18-03-12;
Casa da Márcia
quarta-feira, 7 de março de 2012
O apontador
Cada lápis de cor
no seu devido lugar.
Uns já gastos, outros apontados diversas vezes,
no seu devido lugar.
Uns já gastos, outros apontados diversas vezes,
outros até sem ponta,
mas o que vale realmente é estar
dentro da caixinha, esperando
o papel à colorir.
- Nada de borracha em seu desenho,
escutou Joãozinho!
Os rabiscos a gente não apaga,
dentro da caixinha, esperando
o papel à colorir.
- Nada de borracha em seu desenho,
escutou Joãozinho!
Os rabiscos a gente não apaga,
apenas os colore com outras cores.
E assim a gente vai fazendo novos desenhos,
E assim a gente vai fazendo novos desenhos,
desenhando por cima de rabiscos, corrigindo
e aperfeiçoando imperfeições!Memórias de um cárcere.
Em tempos como esses me pego imaginando historinhas:
Ele chega em casa depois de um dia exaustivo, acaricia seus felinos, se joga no sofá e acende um cigarro, quando que quase por um lapso do destino e por descuido lembra daquele caso antigo. Termina o cigarro, abre uma garrafa de seu melhor Whisky, toma uma, duas, três, quatro doses. Sentindo aquela euforia que só o prazer de um pileque lhe dá, ruma ao quarto, veste-se, passa um espiro de perfume. Passa a mão em seu molho de chaves, sabendo que ainda nele continham as chaves do antigo, apartamento onde dividia com seu namorado, resolve migrar para lá, para relembrar dos momentos, curtir a brisa daquela vista Maravilhosa. Acende mais um cigarro e prossegue o caminho. Chegando na frente do edifício sente aquele frio na barriga, lembranças e borboletas em seu estômago davam fôlego. Dá oi para o porteiro, gira a chave, entra, pega o elevador para o 17º andar. Enquanto o elevador sobe, ele lembra de tudo que aquelas paredes viram e ouviram durante seus meses, curtos\longos intensos. O elevador chega, ele ouve pequenos ruídos vindo daqueles corredores.
-O que será, devem ser os vizinhos, mas os vizinhos, que eram tão silenciosos, fazendo barulho? Bom, os tempos mudaram. Pensou ele.
Seguindo em direção, o som cada vez, em cada passo, ficava mais alto.
Caiu em si, aceitou ele que havia alguém, talvez mais do que o numero de pessoas que imaginava, os risos, a música ficava mais alta.
Parou diante da porta, não sabia ele se o que fazia, tremendo colocou a chave na porta.
Respirou fundo, acendeu mais um cigarro, girou a maçaneta de vagar, a porta se abriu, as luzes apagadas, um leve breu cai sobre a sala, e ao fundo, aquela música, alta, levemente andava, em pisadas leves, foi se direcionando para a sala de estar.
Respirou fundo, girou o botão do som no volume máximo, e quase que por um segundo sem pensar juntou um vazo de flores, admirou-as deu a última tragada no cigarro, jogou a bituca no chão, amassando-a com o pé.
Jogou o vazo contra o aparelho de som paralisando a música, e como um besta deu seu urro de liberdade.
As vozes se silenciaram, feliz assim, começou a quebrar todas as peças que havia dividido com seu amor, naquele lugar que chamavam de lar.
A cada barulho de peças se partindo era como se fosse, mais um tempo de liberdade, mais uma sensação de prazer inexplicável.
As vozes se silenciaram, as dores sanaram.
Cai sobre o chão, tem suas lágrimas misturadas com risos, que não sentira mais.
A porta do quarto se abre, passos no corredor, o reencontro fatal entre o sonho e a realidade se misturavam.
Simples assim, como um cair de tarde.
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